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"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida"
( Vinícius de Morais)

29 maio 2009

Isso é um assalto!

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Na dúvida, fiquei em casa. Foi a resposta em meio a uma conversa pelo chat nessa noite de sexta. Hoje, é ter sabedoria saber selecionar os ambientes que se frequenta. A vilã é a violência, seguida da apatia que reina nesse vulcão social. Verdade que não se pode viver em casulo, pena. Sem dúvida, estar com amigos verdadeiros e festejando um grande acontecimento não tem recusa. Fora isso, é para se pensar.

Bate aquela vontade de comer uma pizza!? Maravilha! Moro ao lado de uma pizzaria. Minha irmã ao me ligar, muitas vezes perguntava se eu estava em casa- respondia que não. Então, perguntava curiosa: "Tá onde?" Eu: Aqui do lado! Sempre tinha que ouvir sua reclamação dizendo que isso não era sair... Ah! Tem lugares que ninguém vê graça, apenas você e pronto. Os garçons e todos da casa se tornaram meio que da família. Afinal, me viram crescer desde os 5 anos de idade. E o pastel de qualquer sabor vem com queijo! Iguaria criada na parte baixa da cidade pelo dono do estabelecimento, quem estimo muito e sinto por não estar mais aqui me pedindo uma canja e uma ajuda, modéstia, na percussão em dias de música ao vivo. La bamba era a sua preferida, cantada no encerramento da noite. Todos iam ao delírio.
Mas não é mais bem assim. A minha pizzaria sofreu um assaltado ontem, chefiado por dois menores e um revólver. Escutar que agora é melhor pedir e comer em casa não diminui a minha indignação e muito menos resolve o problema. A sensação é de andar nas ruas como se estivesse conquistando fases em um jogo mortal de vídeo game. Quando a realidade se aproxima da ficção é hora de fazer um documentário- uma grande sacada de um festival de documentários regional. Que esse roteiro é cada vez mais roubado das nossas vidas por programas medíocres sedentos por audiência, isso não é novidade. Mas nos tornarmos refém dessa situação é o que mais assusta. Olhar e zelar mais pela família e pelo semelhante já seria um bom começo. Deixar um pouco de lado o lema de Muricí- cada um cuida de si. Não digo reagir a um assalto e desarmar o assaltante com um golpe de karatê daqueles de cinema ou a la Matrix, e sim, sermos resistentes e não preferir o costume de assistir a tudo de braços cruzados e arredio a tudo pela janela de casa. Já fiz parte de um roteiro desse e mais raiva do ladrão que me levou a bolsa, estava das pessoas que assistiam o meu mal intento. Não fiquei para ouvir as palmas no final da cena. Nem agradeci.
Nome do filme...Terrorismo humano.
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