

É Natal. Tentei correr para casa, mas a ceia fora de casa me obrigou a comprar umas lembrancinhas. Não teve jeito. Mesmo assim cheguei em casa sem ter sofrido nenhum atentado e caí no sofá exausta. Também trabalho, ok. E então ouvi alguém desconhecido a me chamar no portão:
- ô de casa...
Tive que levantar e aparecer na janela:
- Pois não?
-Ô tia, me dá 0,50 pra eu cumprar pão que tô com fome e tô grávida?
Se não fosse quase 22:30, eu teria até me esforçado a acreditar. Pensei no Natal mas sou impiedosa para isso- não costumo ajudar com dinheiro.
Se não fosse quase 22:30, eu teria até me esforçado a acreditar. Pensei no Natal mas sou impiedosa para isso- não costumo ajudar com dinheiro.
-Olha, dinheiro eu não tenho. Você aceita algo para comer?
-Ô tia, então me dá 1quilo de feijão pra eu cunzinhar lá em casa?
- Vou ver o que eu tenho aqui, certo?
Fui na dispensa e acreditem que em plena véspera de Natal ela está vazia. O dia todo fora e minha mãe na eterna dieta sempre fala que não compra nada para não cair na tentação e comer. Peguei o feijão, macarrão e arroz contente em estar fazendo o meu primeiro gesto de caridade na beira do Natal. Coloquei num saco e fui entregar a ela. Os pacotes não estavam fechados, mas em cada um deles tinha mais da metade, quase cheios.
-Olha, coloquei uns alimentos aqui mas eles não estão fechados pois ainda não fiz feira, tudo bem?
-Ô tia, então me dá 0,50?
Moral da história? Melhor não comentar que tipo de droga ela não conseguiu comprar, pelo menos com a minha ajuda, e por quanto ela iria vender um pacote de feijão de 1 quilo- fechado, que foi a sua única exigência.
Agora pergunto: o que eu faço com esse espírito natalino?!
Hou hou hou