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"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida"
( Vinícius de Morais)

24 dezembro 2009

ô tia?!












É Natal. Tentei correr para casa, mas a ceia fora de casa me obrigou a comprar umas lembrancinhas. Não teve jeito. Mesmo assim cheguei em casa sem ter sofrido nenhum atentado e caí no sofá exausta. Também trabalho, ok. E então ouvi alguém desconhecido a me chamar no portão:


- ô de casa...
Tive que levantar e aparecer na janela:

- Pois não?

-Ô tia, me dá 0,50 pra eu cumprar pão que com fome e grávida?
Se não fosse quase 22:30, eu teria até me esforçado a acreditar. Pensei no Natal mas sou impiedosa para isso- não costumo ajudar com dinheiro.

-Olha, dinheiro eu não tenho. Você aceita algo para comer?

-Ô tia, então me dá 1quilo de feijão pra eu cunzinhar lá em casa?

- Vou ver o que eu tenho aqui, certo?
Fui na dispensa e acreditem que em plena véspera de Natal ela está vazia. O dia todo fora e minha mãe na eterna dieta sempre fala que não compra nada para não cair na tentação e comer. Peguei o feijão, macarrão e arroz contente em estar fazendo o meu primeiro gesto de caridade na beira do Natal. Coloquei num saco e fui entregar a ela. Os pacotes não estavam fechados, mas em cada um deles tinha mais da metade, quase cheios.

-Olha, coloquei uns alimentos aqui mas eles não estão fechados pois ainda não fiz feira, tudo bem?

-Ô tia, então me dá 0,50?

Moral da história? Melhor não comentar que tipo de droga ela não conseguiu comprar, pelo menos com a minha ajuda, e por quanto ela iria vender um pacote de feijão de 1 quilo- fechado, que foi a sua única exigência.

Agora pergunto: o que eu faço com esse espírito natalino?!

Hou hou hou