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"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida"
( Vinícius de Morais)

16 junho 2009

Tudo às cegas.





# é isso...





Não tem ninguém na arquibancada. Não há mais espectadores. Todos estão cegos. É aquela pessoa que entra com você no elevador e nada diz, ou aquela que atrasa os passos para não dividir uma ínfima parte do seu tempo, nem sua convicta sabedoria. É o cara que se julga o cara e acumula sua energia só para levar mais uma no papo. Umas levam mesmo. No papo e para o fundo do poço. É a dita evolução dos primatas, hoje depilados e de músculos turbinados com a droga da hora, sobrancelhas arqueadas, e claro, aquela correntinha de prata para nomear a tribo.


A cegueira contaminou aquele motorista infrator ou não, que subitamente perde a paciência e lança socos e canetadas em quem estiver pela frente. Bater no sexo frágil o fortifica e eleva seu ego podre. Só que agora é publicamente. Não faz mais diferença. O ladrão também é vítima, mas o resultado é bem pior. Estão cegos- cospem e atiram para todos os lados. Pobres e ricos, pais e filhos, trabalhadores, aposentados, não interessa. Um caça e o outro é caçado pela pura ânsia de sangue. Levam o que querem e assinam com a morte.


E as famílias? Cegas. Não se tem moral sem bons exemplos, mas os filhos nascem e são tratados como irmãozinhos. Nascem de transas avulsas, assim como a promiscuidade e as doenças.


Pedir desculpa virou ofensa? Provocação chega mais perto. Será que o fim do Ensaio sobre a Cegueira chega a essa conclusão? Já tenho como concluído. Os tempos são outros. Não pela modernidade, e sim pela mediocridade. Não enxergar o futuro deve ser temeroso. Assim como ignóbil a vida. Aí cabe sua frase, Saramago: Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais.




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