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"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida"
( Vinícius de Morais)

01 agosto 2009

Eu, a vítima

"...Mas
se alguém me desafia e bota a mãe no meio
dou paulada a
três por quatro e nem me despenteio
que eu já
tô de saco cheio..."
Andar na rua se tornou muito arriscado ultimamente, o que não é mais uma novidade há muito tempo. Para o sexo feminino, então nem se fala. Ouvir aquelas nojeiras no pé do ouvido a qualquer momento é menosprezar uma ínfima amostra de digninidade, que ainda deve existir lá escondido, reprimido, no sexo frágil. Permite-se a violência e ela está aí, assim como frases obcenas são ditas e as mulheres, na educação que lhes cabe, tentam passar inabaláveis. Mas isso é muito constrangedor. Não é possível que os homens cogitem que esse tipo de abordagem vão lhe inflar de mais testosterona.


Nesses casos a educação, confesso, não é o meu forte. Sempre há a preocupação de não piorar a situação, criar um tumulto, ou pra ser bem clara, não tomar um sarrafo no meio da cara. Tento. Tem momentos que não dá. Como tinha dito, a tolerância está em ouvir aqueles lamentos sujos e indescentes, porque se encosta em mim a educação de anos adquirida é logo posta de lado e me desculpo pra mim mesma. E por azar, não sei mais de quem, o projeto de gente, num lance quase que ilusionista, de uma bicicleta estica a mão e quase toca nas minhas nádegas. Inspirada não sei em que e confiando não sei em quem, ele parou no chão depois da pernada que lancei na altura do seu abdômen, não esquecendo do jingado das mãos. Surpreendi o coitado que mesmo assim continuou a mandar sujeira para os meus ouvidos. Lívido, não demorou e saiu escabriado pelo meio da rua a procurar o pedal da sua bike.


Pavio curto? Paciência tem limite, e se os homens( esses a quem me refiro) se comportam como animais, é porque acham fêmeas que abrem um maior sorriso quando escutam essas cantadas descabidas. Espero que o ofensor tenha aprendido para o resto da vida que não se pode invadir e desrespeitar a intimidade de uma mulher, ou melhor, de ninguém, sendo inconveniente e abjeto. Devia ter uns 16 ou 17 anos, mas já contaminado pela onda e melodia da maioria das letras de pagode que me nego a transcrevê-las . Ah...minha casa fica ao lado de um...se diz casa de show, e por osmose até uma criança de meses internaliza aquilo, que um perigo! Além do mais, partes da letra foram reproduzidas pelo ofensor em meio a tanto vocabulário pueril. Eu, a vítima, apenas me defendi.